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Casulo


Palavras de moinho
compõem seu voo.
Dasatino de vértebra quebrada.
Quis pular o abismo.
Supor o destino.
Tornou-se bandido de cria criada.
O acaso ofereceu melancolia.
Preferiu cortina de ferro.
Teimosia de engano.

Livro intenso
Páginas em branco.
Verbo em conjugação.
Perdeu o sentido.
Desejo e delírio
Dos entregues ao corpo cárcere.

A última visita


Padece timidamente a Rosa
Reluzindo no amanhecer,
Sobre o fraco brilho da aurora,
a dor amarga do sofrer.

E se move com o vento,
perdendo-se pelos cantos,
voa em desalento,
à procura de um [en]canto.

E vai pendendo,
de árvore em árvore,
dependendo apenas,
da sua passagem.

Despedaçando-se pelo caminho.
Até, por fim, só lhe restar
uma única pétala.

Pequeno resquício de primavera.
Já era, meu amor, já era.
A estação passou,
mudou de cor.

Mas a última pétala ainda voa.
Vaga plenamente sozinha,
pela vazia rua,
passa às vezes esquecida
até tocar a minha pele nua.

A última visita
passa a minha vista
e se vai.

A revolta de um poema.

Que me perdoe o Verbo dos belos inícios.
Não começarei com rimas.
Não terei métrica, nem perfeição.
Serei apenas espectro de poema, não serei poema não.
Até porque, não quero mais o ser.
Cansei de me prender,
de suar e de sofrer.
De parir-me sem defeitos,
de abater-me com medo,
das críticas que hão de me fazer.
Da faca encostada na garganta, que carrego.
Vejam como tenho razão.
Querem prender-me, em linhas perfeitas,
querem que eu seja apenas uma faceta.
Como se as palavras, inúteis, fossem. 
Não, não quero ser poema não.
Não quero ser duro, espremido em versos.
Não quero ser concreto.
Quero ser poesia,
livre, bela, viçosa.
Penetrável,singela, audaciosa.
Quero ser poesia, e se não posso sê-la
que me deixem ser folha em branco.
Esquálido este meu desejo, eu sei.
                                                  Mas se não for pra ser livre, não deixem-me nascer.

Versos íntimos


Às vezes quero arrancar do peito

Gélido e petrificado

Um resquício de sentimento.

Por menor que seja,

Sinto-me obrigada

a expulsá-lo.

Transferi-lo para o papel

Corroer as folhas de tinta preta

Paralisar a pulsação.

Criar, Transmitir,

Transmutar

‘Intimizar...’

Não sou poeta.

Queria sê-lo.

Mas sei versar...

De verso em verso

Com coração aberto

E papel na mão.

Da inexistência


Ouço dentro de mim
um fervilhar de sensações.
Os outros vêem em mim
uma timidez inapropriada.
Eu grito em alto som:
"Não quero ser mais nada."

Mudança.


Tudo diferente
Tudo me surpreende
Não consigo me acostumar
Ausências sentidas
Feridas, Feridas...
Nada igual
Meu tempo?
Momento?
Silêncio?
Do que preciso pra me desvendar ?
Volta e meia dá
Aquele aperto no peito
Aquele medo,
De nada mais voltar.

Nós Dois.

Entre tantas vidas
Entre tantas paixões
Entre tantos outros
Nós dois.

Ah se não fosse certo
Se combinado fosse,
Seria do mesmo jeito.
Seria, nós dois.

Entre tantos cantos
Entre tantos encantos
Uma só alma.
Nós dois.

O Pano.

O tempo passa
O pano cai
Não se esconda mais
Então vá embora
Me deixe em paz.
Deixe desatar tudo
que um dia foi: Nós.
Não sinta pena
Porque eu sei arrancá-la de você
Não se arrependa
Não vai adiantar mais
Só nunca se esqueça
Que o pano cai.

Borboleta tonta.



Se ao menos pudesse saber
Quanto amor eu sempre guardei
Se pudesse beber
Todas as lágrimas que derramei

Eu sei, você saberia me entender
Você entrou no meu jogo
E custou a se render
Cada passo que eu dava
Só te fazia perceber
Não era feita pra você.

O meu erro foi crer
Que eu seria capaz

Mas hoje compreendo.
Deixei a vida nos levar
Feito borboleta tonta...

Distância



Ventos
sopre-me pelo caminho
ajude-me a voar no meio do destino
Triste solidão que me domina
amor distante...
não é ausência
é saudade
é dor aguda
é incerteza
mas é a certeza
de que há amor!

Queria teu olhar
grudado ao meu
o teu calor a me esquentar
mas a distância...
eu não queria,
eu nunca quis...
mas tive que enfrentar!

Fecho os olhos
pra então te encontrar
vou buscar nos meus sonhos
um forma de te amar!

Distância...
fez da minha realidade
sonhos...
da minha verdade
a saudade
e do meu ser
um querer você!



Eu te recriei

Podia ter deixado tudo como antes.
Mas eu quis mudar,
fazer de você
alguém que pudesse me amar.

Como se amor,
a gente pudesse moldar.
Coração ingênuo, coitado,
pouco sabia o que esperar.

Sei que você,
já não é o que eu penso.
Sei que você,
deixou-me entrar,
só pra fechar as portas
dos seus sentimentos.

Eu te recriei.
Talvez até te inventei,
Fiz tudo perfeito,
pra poder acreditar,
que você algum dia,
pudesse me amar.

Mas isso já não me importa.
Vou fingir melhor agora.
Vou criar meus sonhos,
recriar as ilusões.
Vou quebrar a cara,
vou trincar o vidro.
Vou cortar meu coração.

Nem que isso me custe,
te amar [mais uma vez] em vão.

Infinito Particular


Sozinha
A mergulhar
No meu mundo
Nos meus sonhos
No meu ser

Tentando desvendar
Os segredos que vivem
A me rondar

Infinito Particular
Infinito Particular

É isso que todos querem entender
O que existe dentro de você
Um mundo muito
Maior do que pode se esperar
Um infinito particular

Tão particular
Que ninguém nunca
Conseguirá desvendar

Mas eu tento
Eu tento me encontrar
Eu viajo
No meu infinito particular!