Mostrando postagens com marcador cotidiano. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cotidiano. Mostrar todas as postagens

Rit.a.mava


weheartit.com


A Rita ria,
com olhos de encanto,
de João e Maria
se beijando com espanto.

A Rita caminhava sozinha
pelas grandes avenidas.
Cruzava com pessoas
de todas as cores,
de todos os tempos,
desejos e amores.

Olhava as vitrines do cotidiano,
ouvia as palavras com os sons ritmando.

Misturando-se em multidões, aprendera a dançar,
ganhou até um amor bandido,
do pequeno malandro.
Meloso, dengoso, dava até pra gostar.
Mas a Rita era carioca, sambava por um grande amor.

A Rita, rimava em verso e prosa.
Era a moça da cidade.
Menina de coração suburbano.
Princesa de se admirar.

Que toda noite se deitava sobre o velho cobertor,
em baixo da ponte, olhando as estrelas
que enfeitavam o céu da cidade grande
[de medos e sonhos]

Inspirado nas canções de Chico B.

Lugar comum.



Sou uma mulher comum, figuro entre a dor e o prazer. Engano-me nessa ilusão que é a vida. Talvez sejam esses olhos meus, ingênuos, ou quem sabe o som que toca lá fora, extirpando meus ouvidos. Talvez eu já tenha até perdido os sentidos. Nesse ritmo contínuo e discreto. Olho pra mesa, você do outro lado, tão dono de si, segura seu jornal, indiferente. Eu já devia ter largado tudo, eu sei. "Mas (esse) meu coração poeta, projeta-me em tal solidão, que às vezes assisto a guerras e festas imensas, sei voar e tenho as fibras tensas e sou um." como disse Caetano na música que tocava ao fundo. Então olho pra nós, dois olhos sem cor, dois estranhos em um pequeno círculo sem graça. Você. Acorda. Beija a minha testa. Escova os dentes. Toma café. Pergunta: "onde está a minha meia?". Eu respondo. Senta-se à mesa. Toma o café. Lê o jornal. Dá-me bom dia. Diz que chega a tempo pro jantar. Chega. Dorme no sofá. Dizem que quando a gente está morrendo, passa um filme na nossa cabeça. Então eu penso que não posso só lembrar do agora. Desses cabelos grisalhos, desses olhos cinza, da tristeza nas pálpebras. Mas insisto em questionar minha realidade. E penso que o menino moreno nunca existiu, que o seu sorriso era forçado, que aquelas flores foram apenas pra uma conquista, que não havia verdade em lugar nenhum dessa história. As palavras sempre pela metade. Os suspiros inventados. Um amor sonhado. Tudo. Quase. Voltei pra mesa. Você continua ali sentado, sem se dar conta. Tapei os ouvidos para não ouvir o seu "bom dia", cansei dessas manhãs - café com pão e azia. Corrói-me o esôfago. Dois reflexos borrados na existência cotidiana.
Mas aí você chega e entra pela porta do apartamento, me pega no colo com um sopro gelado que percorre a nunca e chega aos meus ouvidos, sussurrando que me ama. E eu acredito. Tuas mãos geladas em baixo das cobertas quentes. Eu queria sentar pra conversar, eu queria falar que não dá mais, eu soluço e você me agarra e me desarma, e as palavras perdem o rumo. Vejo então o nosso amor em volta de uma beleza inquestionável E me pego pensando que nunca é demasiado amar. Mas você esqueceu de escrever no espelho do banheiro.
E o outro dia chega e a noite passada não figura noutro lugar se não no passado. No lugar comum da nossa existência. São imagens de um futuro que não ensina caminhar sozinho. De dias gastos, de um viver exaurido.

É que sou uma mulher comum, figurando entre o desejo e a desistência.

Vidas roubadas

Roubaram os sorrisos de toda a humanidade
Roubaram as vidas;
Em que ainda restavam felicidade.

Os olhares de esperança
Foram esquecidos pelas ruas
A vida das nossas crianças
Tornaram-se mais nuas.

As gotas de sangue
Substituíram as de orvalho
O verde da vida
Foi caindo dos galhos.

E todo o sangue derramado
Sujou o mundo
Trouxe desespero
Fez crescer o medo...

E a cada dia
São tantas vidas...
Vidas roubadas

Roubadas do mundo
Roubadas da alegria
Roubadas do amor;
Do amor da família.

O mundo está cheio de violência
Estamos vendo
Vivendo,
Mas não damos o nosso exemplo!

È preciso de amor,
Carinho,paz e igualdade.
È preciso fazer desse mundo
Uma aliança de fraternidade!