Como se as palavras, inúteis, fossem.
Quero ser poesia,
Entre tantos desamores.
Eis que surge o
Questionamento indecente.
Entristece-me tantos devaneios
Então implora minha decisão
Digo com o ar da graça um “não”.
Em tanta fúria
Furtou-me o lirismo
Morrerei sem poesia.
Uma parte de mim eu encontre
Uma parte que eu possa carregar
Que seja leve,mas não vazia
Que seja calma e sutil.
Que vale a pena ir buscar
Pois cansei de ser e de estar
O que sou e estou
Quero mudar.
Talvez depois, talvez antes.
Ainda me resta a esperança
De numa trilha dessas encontrar
Aquele que me faça descobrir
O que é ser verdadeiramente você.
Em duas parti-me
Na penumbra da noite,
Lamentei as duas não poder ser
E ter que um dia escolher
Qual delas serei eu.
Como pode assim,
Haver tantas dentro de mim?
E só uma...
Só uma alma, só um canto.
Só uma vida.
Em duas parti-me
Pra longe, pra onde,
Pra dentro,
Pra eu ser
O que eu sou,
O que já fui,
O que ainda verei.
E não adianta
Não dá pra saber
Qual delas agora
Eu hei de viver.
No fundo, no fim
Mil sendo apenas uma
Não é simples assim.