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A revolta de um poema.

Que me perdoe o Verbo dos belos inícios.
Não começarei com rimas.
Não terei métrica, nem perfeição.
Serei apenas espectro de poema, não serei poema não.
Até porque, não quero mais o ser.
Cansei de me prender,
de suar e de sofrer.
De parir-me sem defeitos,
de abater-me com medo,
das críticas que hão de me fazer.
Da faca encostada na garganta, que carrego.
Vejam como tenho razão.
Querem prender-me, em linhas perfeitas,
querem que eu seja apenas uma faceta.
Como se as palavras, inúteis, fossem. 
Não, não quero ser poema não.
Não quero ser duro, espremido em versos.
Não quero ser concreto.
Quero ser poesia,
livre, bela, viçosa.
Penetrável,singela, audaciosa.
Quero ser poesia, e se não posso sê-la
que me deixem ser folha em branco.
Esquálido este meu desejo, eu sei.
                                                  Mas se não for pra ser livre, não deixem-me nascer.

Com.Versar

Lys é flor.
Maria, fumaça.
Gabriel é luz.
João é flauta.
A vista,cumpadis,
na varanda
de casa.

E no silêncio,
um vazio assinado.
Rapidamente quebrado.
Maria começa a esfumaçar.

Um pandeiro,
um triangulo,
a zabumba,
é só pra começar.

Uma batucaidada só,
Uma belezura só.
Pura consonância.

Nas cordas e na madeira
vão embora durante a noite inteira,
no en.canto de se com.versar.

Arte em pessoa .



Voz doce,terna
Eterna em cada nota
Sublime,suave
é pura arte!
Canta e encanta
com toda simplicidade.
E como os sons...
voa,vai longe!
Esbanja emoção...
diante dos meus olhos
uma fascinação.


Quero muito dividir com vocês, a alegria que ganhei hoje quando vi esse post no blog da Jeh :) Fiquei muito feliz por ser reconhecida e queria agradecê-la de verdade.Por isso, venho por meio desse post apresentar a vocês essa artista talentosísima.Espero que gostem do vídeo com a música dela.Quem quiser acompanhar o trabalho da Jeh e só visitá-la no blog.

Um beijo!

A inquilina

Ela quer o meu relato
da fraqueza e da dor
além das palavras,
os meus atos.
Para atar-se em nós.

Perfura minhas entranhas
como arame farpado
esconde-se interna
introduzindo-se em mim
Inquilina!

Fortalece-me em alguns momentos
enfraquece-me outrora
Questiona-me inquietamente
e cala-se constantemente

Às vezes como um fantasma
outras como flor
apodera-se de mim.

Mas quando penso em tê-la
foges...

Des[culpa]




Desculpe amor se eu não te entendo,
Te entender és meu tormento
mas já não é mais o bom momento
para que eu continue a te amar...

Sentir...



Sentir-se livre para degustar os sabores da vida,
para encontrar a plenitude nos momentos
equilibra-se entre os sentimentos
Encontrar-se.

De tanto ver crescer a injustiça

" De tanto ver triunfar as nulidades,de tanto ver prosperar a desonra,de tanto ver crescer a injustiça,de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." Rui Barbosa(1849-1923),jurisconsulto e estadista brasileiro.

Quando abri os olhos de manhã, vi o céu pela janela e estava claro, abri minha revista e comecei uma leitura em meu quarto vazio, foi quando me deparei com esta frase de Rui Barbosa, tão realista, com uma intensidade tremenda e cortante, cortava meu coração. Comecei reflectir sobre a influência das coisas que acontecem em nossa vida sobre as nossas atitudes. São tantas as coisas abomináveis que vemos hoje em dia.Penso então nas vidas inocentes que perdemos todos os dias e nos corações dos que ficam nesse mundo chorando a impunidade e a vergonha que é ver o poder nas mãos dos maus.Pior ainda é ver estas pessoas desanimarem, encherem seus corações de ódio e de vontade de vingar." Pois já que aqui não se tem justiça, que se percam as virtudes e que seja feita a justiça com as próprias mãos". Triste.Mas hoje o mundo infelizmente se encontra assim.

As bombas de 1945

Ela morreu sem ver sol
Quando do ventre materno saiu
Duas rosas no céu explodiram
E o mundo inteiro caiu.

Agora, chora de dores os que ficam
sem culpa e sem amparo
De tanto ver crescer a injustiça
morrem de tão desesperados.

A vingança
companheira amigável
Conforta um coração
agora abominável.

Na guerra, agradável é a sorte
De quem fecha os olhos e ainda sonha
Que vai nadando contra essa maré...

Sobre a sombra.

Uma manhã cinza e calada
me dá "Bom dia"
com seu ar frio
que rasga o peito.
Pego o meu café
deito-me na cadeira
da sala vazia e empoeirada
Abro um livro...

Tento esquecer as minhas dores
Tão lúcidas,tão fortes.
É outra a situação,
mas dói tanto quanto
outrora doeu.

Leio a primeira frase.
'Ah Clarisce!,só tu que me faz pensar tanto,
é capaz de acalentar este meu coração
que não sabe mais se quer amar.'

Amar como tantas vezes amou.
Sofrer,como tantas vezes sofreu.
Mas,por tantas vezes insistente.
Apagou as sombras e
os rastros do passado.
Deixando-me segura,calma.
Como se o amor pudesse ser assim.

E como não o é,
Uma hora ou outra,reaparecem.
Estas sombras de dor,
raios,ralampagos e trovões.
Uma insegurança,que me faz querer desamar.

São apenas sombras,
eu sei.
Passado,
eu sei.
São apenas dores,
que não se acabam mais.


* "Menos pela cicatriz deixada, uma feridantiga mede-se mais exatamente
pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou
de doer, embora lateje louca nos dias de chuva." (Caio F.)

Uma inquieta tentação



Doce os teus sabores
Torto o teu sorriso
Amargo esse teu beijo
Que distante me fez do paraíso

Um desejo aparente
Entre tantos desamores.
Eis que surge o
Questionamento indecente.

Embriago-me em medo
Entristece-me tantos devaneios
Então implora minha decisão
Digo com o ar da graça um “não”.

E em tanto ardor
Em tanta fúria
Furtou-me o lirismo
Morrerei sem poesia.

O bem mais precioso...

Tempo.

No instante que se segue
eu amo
No próximo minuto
me aconchego
No próximo dia
eu conquisto
sem desespero.

Com calma me alimento
sugo sentimentos
daqui uma hora eu sinto
Daqui pra frente
eu sigo.

O tempo me dá razão
Me dá amor
Compaixão
Felicidade
Inteligência
Lealdade

O tempo que faz a vida
é o minuto que se passa
o segundo que se vive
o instante que sentimos.

Tempestades de amor

Cinzas de inverno
derramadas sobre o gelo
Ardente veneno e desejo
cobre meu corpo de tormento

E dessa armadilha dos
teus olhos sem amor
que toda a tempestade
de hoje apagou

E é tanto orgulho que não sinto
quando estou perto de ti
Até machuca o meu instinto
Querer-te assim

No meu rosto o disfarce antigo
De quem só lhe quer bem...
Talvez até seja um bom amigo
Mas só isso já não basta.

Meu coração agora um deserto sem asas
Nem o escuro mais disfarça
O quanto minha alma desarmada
vive cheia de amor

Chove lá fora
Aqui em meu rosto também,
Talvez seja essa saudade
Talvez seja apenas essa dor.

Uma parte

Talvez depois daquele distante monte

Uma parte de mim eu encontre

Uma parte que eu possa carregar

Que seja leve,mas não vazia

Que seja calma e sutil.

Que vale a pena ir buscar

Pois cansei de ser e de estar

O que sou e estou

Quero mudar.

Talvez depois, talvez antes.

Ainda me resta a esperança

De numa trilha dessas encontrar

Aquele que me faça descobrir

O que é ser verdadeiramente você.

Sopro de vida

Era um caminho escuro
linha fina sem fim
entre uma ponte e outra: o furo
um buraco imenso abrindo em si.

Dia e noite
o mesmo momento comprado
Prostando sobre o tempo
que assim vai...

Sendo metade saudade
A outra parte, só dor
De um lado
um sopro de vida
Do outro pedaços sem cor.

A verdade

E a dor quando aflora
Vai-se embora por mim
Saudade eu tenho sim
De voar por ai
Das asas que um dia eu tive
E cortaram de mim.
Mas me diga,
Quantas asas ainda voam por ai?

Eu acho que desconheço
Quem ainda tem apreço
Por essa sociedade
Flagelada da cidade
Que vive daquela verdade
Que todo mundo sabe
Que não é.

Mil sendo apenas uma.

Em duas parti-me

Na penumbra da noite,

Lamentei as duas não poder ser

E ter que um dia escolher

Qual delas serei eu.


Como pode assim,

Haver tantas dentro de mim?

E só uma...

Só uma alma, só um canto.

Só uma vida.

Em duas parti-me

Pra longe, pra onde,

Pra dentro,

Pra eu ser

O que eu sou,

O que já fui,

O que ainda verei.

E não adianta

Não dá pra saber

Qual delas agora

Eu hei de viver.

No fundo, no fim

Mil sendo apenas uma

Não é simples assim.

Banho

Ele lava-se por inteiro
água banha-o sem desespero
Lava-se tanto!
Mas é insuficiente
Ele que lavar-se
por dentro,
a alma
e o peso.

Mas é tão sujo,
que nem a água mais basta.

Pintura Nova


Entrou pela porta em silêncio
Tingindo a face de alegria
disfarçando toda a ausência
Era a manhã do outro dia.

Num ambiente cheio
Para uma pessoa vazia.

Arranha-céus



Entre escuridão contínua
Das nuvens cinzas

Os rotos tristes
Cansados
Deslumbrados

Vem de longe
Vem pro futuro
E voltam pro passado.

Tem medo
Só querem voltar
Passam o tem inteiro
Tentando se virar.

Nas calçadas imundas
Passam por cima
Feito merda no chão.

Disseram-lhes:
Lá tem arranha-céu

Então eles pensaram que
Seria fácil voar

Agora eles vêem,
Não,não vêem.

Arranharam os céus
Desse mundo.

Mudança.


Tudo diferente
Tudo me surpreende
Não consigo me acostumar
Ausências sentidas
Feridas, Feridas...
Nada igual
Meu tempo?
Momento?
Silêncio?
Do que preciso pra me desvendar ?
Volta e meia dá
Aquele aperto no peito
Aquele medo,
De nada mais voltar.

Nós Dois.

Entre tantas vidas
Entre tantas paixões
Entre tantos outros
Nós dois.

Ah se não fosse certo
Se combinado fosse,
Seria do mesmo jeito.
Seria, nós dois.

Entre tantos cantos
Entre tantos encantos
Uma só alma.
Nós dois.