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A revolta de um poema.

Que me perdoe o Verbo dos belos inícios.
Não começarei com rimas.
Não terei métrica, nem perfeição.
Serei apenas espectro de poema, não serei poema não.
Até porque, não quero mais o ser.
Cansei de me prender,
de suar e de sofrer.
De parir-me sem defeitos,
de abater-me com medo,
das críticas que hão de me fazer.
Da faca encostada na garganta, que carrego.
Vejam como tenho razão.
Querem prender-me, em linhas perfeitas,
querem que eu seja apenas uma faceta.
Como se as palavras, inúteis, fossem. 
Não, não quero ser poema não.
Não quero ser duro, espremido em versos.
Não quero ser concreto.
Quero ser poesia,
livre, bela, viçosa.
Penetrável,singela, audaciosa.
Quero ser poesia, e se não posso sê-la
que me deixem ser folha em branco.
Esquálido este meu desejo, eu sei.
                                                  Mas se não for pra ser livre, não deixem-me nascer.

Segredos em silêncio



É que tenho disso, de observar sem dizer nada. Na verdade é que meus olhos gostam da lentidão, de apreciar devagar cada imagem, petrificar os instantes e os meus pensamentos são rápidos demais, inconstantes talvez. Não venhas me dizer, é incoerente, eu sei. Poderia enquadrar-me entre os seres mergulhados em reflexos e borrões. Além do mais, nem todas as imagens da mente são nítidas, 'vezenquando' elas se misturam com os pensamentos e se confundem, se difundem e eu nem sei mais o que são ao certo. Eu poderia ser também a sonhadora, apaixona e poetiza. Não que eu saiba realmente poetizar, eu só faço enxergar a poesia nas entrelinhas vida, observar sem dizer nada. Até a poeira do dia vira letra cinza no papel, outras vezes é a angustia do papel branco e intacto que faz fluir... mas na verdade ninguém entende. Ainda me questionam e vão questionar:

- O que vêem os olhos em silêncio?