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Para Amar Incondicionalmente


Carrego 17 arco-ires, os quais foram pintados lentamente através de gestos sábios e delicados, ainda que, por mãos firmes e fortes. Mas neste céu azul, não fora apenas a delicadeza das tuas pinceladas, tão pouco a tinta aquarela que usaste para me vestir de poesia que coloriram a pequena tela. Foi no traço mal feito, na linha na qual perdera o capricho, onde as tintas se misturaram num borrar de sonhos infinitos, que tu moldara uma alma feminina com ternura e amor. Fizera a tua menina, flor morena.
E colocara o destino em minhas mãos. Não tive medo desse mar que é a vida, tu sempre foras o marinheiro e eu a bailarina. E quando o mar se zangava, e as ondas ganhavam uma proporção maior, tu guiava o barco e cantava uma velha cantiga de marujo, enquanto eu bailava nessa ciranda de a-mar. E o navio nunca ancora, é eterno marujo, esse navegar.
Hoje sentei na janela e revivi meus sonhos e a vida. E me vi envolta em teu abraço forte, ouvindo tuas sábias palavras, segurando a tua mão pra atravessar a rua, sentindo teu cheiro no quarto, o calor da tua voz me colocando pra dormir, senti o medo que sentia quando você não estava comigo. Quando me via sozinha. Incapaz.
Acontece que eu fui crescendo, e você nunca foras marinheiro - pintor, muito menos eu, bailarina.  Um dia, desenhaste asas em minha tela, ambos tivemos medo na hora em que ousei usa-las, mas tu me disseste - vai, e eu fui...alcei voo, deixando meu coração em tuas mãos.
Me contaram certa vez, que quando nasci, ganhei de presente um moço bonito e um bilhete que dizia: Para Amar Incondicionalmente.
Descobri então, que tu não era apenas marinheiro, pintor, desenhista, era a pureza do amor, era MEU PAI.
E a vida foi se firmando nessa beleza de amar e ser amada.

Pra alguém que vai chegar.

Traz um riso solto,
um amor sem juízo.
Vem cuspindo fogo,
lá do paraíso.

Entardece no meu caminho,
porque o sol já perdeu seu ofício.
Ainda espero você chegar,
e isso é só o princípio.

Quanto amor cabe numa só linha?
De quanto eu preciso pra compor essa rima?

Vem de barco, que dá pra eu ver do horizonte.
Traz de guia o vento, depois o mar.
Que a lua é só dela.
Traz a vela acessa, que é pra eu apagar.

Se é a chuva que cai,
não deixe a brasa molhar.
Que é vontade de carinho...meu bem,
que me faz te esperar.

Nada é tão pequeno,
pra não viver na imensidão.
Pobre vida, essa minha,
quando cobre-se de solidão.

Domingo.

E o domingo bonitim, faz-se poesia em mim.
Tem cheiro de café, tem preguicinha no ar.
Tem dúvidas de amor no céu, 'a pairar'.
Tem um abraço, por dar.
tem fofoquinha de amiguinhas
...mas não é por celular.
Tem um bocadinho de solidão,
de saudade e de paixão.
Tem o que ter,
tem sempre o que ser.
Deixa teu dia assim também?

Sinceridade



E não foi por maldade
amor, que a deixei
Você sabe e eu também sei.
Desculpa se só lhe falo agora
É que a sensibilidade hoje aflora.

Pula, corta e me devora.

Mas saiba, que
só peço perdão,
porque o meu coração
chora de saudade.