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A revolta de um poema.

Que me perdoe o Verbo dos belos inícios.
Não começarei com rimas.
Não terei métrica, nem perfeição.
Serei apenas espectro de poema, não serei poema não.
Até porque, não quero mais o ser.
Cansei de me prender,
de suar e de sofrer.
De parir-me sem defeitos,
de abater-me com medo,
das críticas que hão de me fazer.
Da faca encostada na garganta, que carrego.
Vejam como tenho razão.
Querem prender-me, em linhas perfeitas,
querem que eu seja apenas uma faceta.
Como se as palavras, inúteis, fossem. 
Não, não quero ser poema não.
Não quero ser duro, espremido em versos.
Não quero ser concreto.
Quero ser poesia,
livre, bela, viçosa.
Penetrável,singela, audaciosa.
Quero ser poesia, e se não posso sê-la
que me deixem ser folha em branco.
Esquálido este meu desejo, eu sei.
                                                  Mas se não for pra ser livre, não deixem-me nascer.

Prega a dor.


Prega, prega, prega-dor
que o varal da casa é forte
pra aguentar mais esse amor.

Antes isto que a morte
caminhando flor a flor
esperando o único descanso
encanta.dor.

Gota serena,
na pequena, molhada mão
m o r e n a,  m o r e n a
queima, queima a dor dessa paixão.

Memória




Pra que forçar tanto a memória
se ainda te tenho em minha história?

Já vi a hora chegar
não falo em fim
para não me magoar.

Melhor continuar a trajetória
vivendo e morrendo assim
só tendo o teu amor em mim.

Com esse seu olhar
(de bem amor),
qualquer leigo saberá 
o que amar.

E mesmo que esse tempo passe
Ninguém jamais pode mudar
O que você tem pra dar.

Não me preocupo mais,
eu já me preparei
parei para pensar.

Pode até o tempo chegar
Agora eu só quero
O nosso amor renovar.

En vers et en prose


Tudo que peço é uma chance, uma pitada de liberdade misturada com a leveza de poder ser, para escrever um pouco das faces que existem em mim.
Sinto-me tão só, ás vezes pequena, outras grande, capaz de tranbordar na xícara de café sobre a mesa. Só peço que me use, que me faça instrumento das palavras, que me cite, me decore, me conserte, me namore. Só. Quero apenas chorar as dores do mundo e sorrir um riso bom. Sussurar palavras mudas, e dedicar-me sobre a máquina antiga e empoeirada.Não quero ser a realidade nua, crua e destilada, muito menos uma mentira, uma farça. Faça de mim apenas uma companhia para as noites de solidão, para as noites de amor, faça de mim algo que valha a pena, escute a música que flui de mim....
Abra-me, degusta-me, sinta-me en vers et en prose.
Encontre-se.